História

Dona Mariquinha


 

 

 

 

 

 


Dona Mariquinha

Maria Augusta de Andrade Lopes nasceu em uma família de floristas. Sua mãe, Dona Mariquinha (Maria Andrade), nascida em Coromandel, Minas Gerais, interessou-se em aprender a fazer flores ainda criança. Observando a natureza, ela fazia o possível para reproduzir nos mínimos detalhes as flores que via e que tanto a encantavam. Sua fascinação pela natureza era tão grande, que depois de fazer e desfazer tantas e tantas flores, conseguiu fazer botões de flor de laranjeira usando, como materia prima para suas criações, a pelica interna da casca do ovo. Dona Mariquinha, sempre atenta ao detalhe por toda sua vida, fez da sua

paixão seu ofício, e costumava dizer que um dos pontos altos de trabalhar com noivas era que podia conviver com a futura esposa e sua família em um momento de muita esperança e alegria. E assim, as floristas de algum modo participam deste momento tão sublime, contribuindo silenciosamente para o brilho da cerimônia. Muito católica, Dona Mariquinha dizia que sonhava frequentemente com Nossa Senhora, vindo lhe ensinar modelos novos de flores. Mas, a flor mais bonita Ela só lhe ensinaria quando as duas finalmente se encontrassem. Dona Mariquinha trabalhou para a Casa Canadá, no Rio de Janeiro e além disso formou muitas floristas, entre elas as duas filhas: Nydia Andrade Graça (já falecida) e Maria Augusta.

Maria Augusta

 

 

 

 

 

 

 

 



Maria Augusta

Filha mais nova de Dona Mariquinha, Maria Augusta nasceu em Araguari, Minas Gerais, e trabalhou costurando para parentes e amigos durante muitos anos. Usava telas francesas e seu trabalho sempre foi muito elogiado por todos. Mesmo assim, decidiu mudar de ofício e passou a se dedicar à criação de arranjos artificiais para decoração. Maria Augusta sempre executou pessoalmente todos os passos necessários à montagem final do arranjo, desenvolvendo suas próprias técnicas, que viriam a aperfeiçoar e diferenciar cada vez mais o seu trabalho. As folhagens eram feitas usando a técnica de silkscreen, com telas criadas por uma amiga. Depois das flores e arranjos decorativos, passou a concentrar seu

talento na criação de grinaldas e buquês para noivas, além de arranjos de damas e flores para vestidos. A partir de então, tornaram-se frequentes as suas viagens para a Europa, onde comprava materiais e alguns modelos nas grandes casas de Paris como Madame Brataux (grinaldas) , Lemarié (flores), Michel (chapéus), estas duas últimas compradas pela Maison Chanel com o objetivo maior de preservar a arte minunciosa e detalhista da criação e manufatura destas peças. Com o tempo, Maria Augusta introduziu em suas criações grinaldas com pérolas e cristais variados. E apesar da evolução dos tempos, nunca abandonou a característica extremamente artesanal do seu trabalho, sempre feito com muita precisão e paciência. Este perfeccionismo e dedicação, até hoje persistem em seu atelier, fazendo com que a produção de cada mês seja limitada a um número modesto de peças. Traços marcantes no seu trabalho, a elegância, o aprimoramento constante e a atenção a cada detalhe faz de Maria Augusta uma artesã e artista única, através da criação de grinaldas e arranjos que fizeram história na sociedade brasileira, participando lindamente do momento mais aguardado e celebrado de toda noiva: a cerimônia de casamento.
Hoje seu atelier está sob a responsabilidade de sua filha, Júnia Maria Lopes Debevc.


Maria Augusta